Estudo mostra que o Litoral do Brasil está mais quente e com maior frequência de eventos extremos de temperatura. São Mateus no Espírito Santo é a cidade mais atingida, com ondas de calor e de frio.

O artigo publicado na revista científica Nature em 25 de abril de 2023 utilizou a temperatura histórica do ar da superfície (SAT), de conjuntos de dados observados e reanalises, de cinco locais ao longo da costa brasileira, com pelo menos uma estação meteorológica em cada ecorregião marinha do mundo (MEOW). Os locais foram escolhidos com base na disponibilidade de conjunto de dados observados de boa qualidade e na proximidade do ponto de grade mais próximo dos dados de reanálise. De norte a sul, as localidades escolhidas foram: São Luís/MA; Natal/RN; São Mateus/ES; Iguape/SP; e Rio Grande/RS.

Variáveis de resposta e indicadores extremos utilizados no estudo:

1. Tmax: Temperaturas máximas diárias;

2. Tmin: Temperaturas mínimas diárias;

3. DTR: Faixa de temperatura diária (ou seja, Tmax − Tmin do mesmo dia);

4. + IDTmaxR: Intervalo de Tmax interdiário positivo (isto é, diferenças de Tmax em dias consecutivos: o dia seguinte tem Tmax mais baixo que o anterior);

5. + IDTminR: Intervalo de Tmin interdiário positivo (ou seja, diferenças de Tmin em dias consecutivos: o dia seguinte tem Tmin mais baixo que o anterior);

6. − IDTmaxR: Intervalo negativo de Tmax interdiário (ou seja, diferenças de Tmax em dias consecutivos: o dia seguinte tem Tmax maior que o anterior);

7. − IDTminR: Intervalo negativo de Tmin interdiário (ou seja, diferenças de Tmin em dias consecutivos: o dia seguinte tem Tmin mais alto que o anterior).

 

Os resultados mostraram em São Mateus:

Uma tendência crescente na frequência de ocorrências extremas e eventos de Tmax e Tmin. São Mateus teve Tmax (variando de 28,6 °C, em julho de 1987, a 37,2 °C, em março de 2013) e Tmin (de 11,2 °C em junho de 1993 a 20,7 °C em janeiro de 2016).

O verão foi a estação com menores ocorrências e eventos extremos tanto para Tmax quanto para Tmin. Já as ocorrências e eventos extremos de DTR ocorreram mais no inverno.

São Mateus teve maior frequência de ocorrências extremas e eventos na primavera para + IDTmaxR e − IDTmaxR, enquanto + IDTminR e − IDTminR foram mais frequentes no inverno.

Frequência sazonal geral de eventos e ocorrências extremas de todos os 5 MEOW nos últimos 40 anos. Os resultados são apresentados para as seguintes variáveis de resposta: temperaturas máximas diárias (Tmax); temperaturas mínimas diárias (Tmin); e faixa de temperatura diária (DTR).

Frequência sazonal geral de ocorrências extremas e eventos de todos os 5 MEOW nos últimos 40 anos. Os resultados são apresentados para as seguintes variáveis de resposta: intervalo positivo de Tmax interdiário (+ IDTmaxR); intervalo positivo de Tmin interdiário (+ IDTminR); intervalo Tmax interdiário negativo (− IDTmaxR); e intervalo negativo de Tmin interdiário (− IDTminR).

 

Em resumo, o estudo descobriu que as ocorrências extremas de SAT estão se tornando mais intensas e frequentes nos últimos 40 anos em todos os 5 MEOW da costa brasileira, com efeitos aumentados em latitudes mais altas. Padrões DTR podem ser essenciais para ajudar a identificar frentes frias extremas, embora seja desejável uma análise conjunta com outras variáveis de resposta, como pressão atmosférica e precipitação. O conjunto de dados e o método do estudo parecem ser uma abordagem confiável para os estudos de extremos climáticos, com indicadores claros de sua intensidade, frequência e duração, bem como detalhes sazonais.

 

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